Minha amamentação na UTI neonatal


Amamentar vale a pena, mas não é fácil. A amamentação na UTI neonatal é ainda mais exigente para a mãe. Neste post, te conto como enfrentei a dor de um aleitamento diferente quando meu bebê esteve internado. 


 

Amamentação-Ideal

Cada dia me convenço mais de que, para ser uma mãe tranquila, é preciso saber equilibrar muito bem duas coisas:

– aquilo que esperamos/planejamos/sonhamos

– o que realmente acontece

Em outras palavras, precisamos saber equilibrar EXPECTATIVAS e REALIDADE. Com a amamentação, não é diferente.

Amamentar é muito importante. É mais do que um ato de amor: é um ato de sabedoria da natureza pois beneficia a saúde do bebê e da mãe. Tem também impactos positivos na economia e no desenvolvimento sustentável, mas (fique tranquila!) não pretendo detalhar isso neste post, kkkk! O que, sim, importa frisar é: amamentar vale a pena.

 

A AMAMENTAÇÃO DE UM JEITO QUE NUNCA ESPEREI

Vale a pena, mas não é fácil. Acho que toda mãe de primeira viagem teve pelo menos uma dificuldade nesse assunto quando chegou a hora do vamos ver. Para uma mãe de UTI, isto é, para uma mãe cujo bebê está internado em uma UTI neonatal, o aleitamento materno torna-se uma luta quase heroica! Pelo menos essa foi a minha experiência.

Como eu já te contei uma vez, eu sempre achei que eu não levava jeito para ser mãe. Esse universo de fraldas, amamentação, etc… era coisa para mulheres mais prendadas do que eu! Nunca imaginei que um dia conseguiria amamentar, muito menos que aprenderia a amamentar de um jeito diferente: por meio de sonda e em uma UTI neonatal.

AMAMENTAÇÃO SEM ROMANTISMOS

Amamentação-CopoLeiteMeu filho estava, desde o nascimento, internado na UTI, dentro de uma incubadora. Eu não podia pegá-lo no colo, muito menos amamentar normalmente. Uma das enfermeiras me ensinou a ordenhar (que termo mais mamífero, não?), ou seja, a tirar meu leite manualmente ou com uma bombinha e colocá-lo em um recipiente. Depois, a equipe da UTI se encarregaria de alimentar meu bebê com meu leite, por meio de uma sonda.

Não houve aquela cena bonita da mãe pegando o bebê nos braços, acariciando seu cabelo, cantando uma música… tudo enquanto amamenta. O que houve foi: meu filho na incubadora da UTI e eu numa sala ao lado, em horários determinados pelo hospital, tirando leite.

 

 

COMO NÃO ME AFUNDEI NA TRISTEZA  

É… não teve aquele romantismo todo que a gente vê nas propagandas. Posso dizer que a experiência teria sido até meio fria e distante, mas felizmente eu encontrei algumas estratégias para sobreviver à angústia do tempo da UTI sem me afundar na tristeza (meu filho corria risco de morte logo nos primeiros dias de vida).

Abaixo, compartilho com você como enfrentei a dor de ter um aleitamento diferente do que eu queria.

PRIMEIRA ESTRATÉGIA: TIRE LIÇÕES DA SITUAÇÃO

Amamentação-diferente-Mãe-UTI

Na foto acima, repare que, no peito do meu filho, tem um tubo de oxigênio. Alguns dias antes de tirarmos esta foto, a equipe do hospital havia permitido que eu pegasse meu bebê pela primeira vez (ele tinha 10 dias de vida!). A questão do oxigênio ainda era problemática para ele, então eu não podia ficar com ele no colo por muito tempo. Isso me frustrava muito. Eu tinha apenas uns minutos. Um dos motivos pelos quais eu não podia amamentá-lo normalmente era porque poderia faltar-lhe oxigênio. Afinal, como mamar sem respirar? Aliás, o ato de mamar é bastante complexo para um bebê: ele precisa saber sugar, engolir e… respirar, claro!

No dia em que — finalmente! — pude amamentá-lo, valorizei cada detalhe daquela cena que eu estava vivendo: o leite que havia descido, a pega certa no seio, a deglutição correta dele e, claro, o fato de ele conseguir respirar enquanto mamava. Percebi que as pequenas coisas, muitas vezes, são as mais importantes. Não estou dizendo que “respirar” é algo “pequeno”, mas é algo a que nós não prestamos atenção. Deixamos de perceber que o “grande” muitas vezes se esconde no “pequeno”.  Essa foi uma lição que me ajudou naqueles momentos difíceis e que levei para toda a vida.

As pequenas coisas, muitas vezes, são as mais importantes.

O “grande” muitas vezes se esconde no “pequeno”.

SEGUNDA ESTRATÉGIA: SAIA DE SI MESMA

Incubadora-BebêEu sei, eu sei. Num momento como esse, já estamos sofrendo demais. É perfeitamente compreensível não pensar muito nos outros e dedicar todos os nossos pensamentos ao bebê. Eu também só pensava na UTI, no meu filho, na próxima visita que eu faria a ele, etc. Eu simplesmente nem conseguia pensar em outra coisa, até porque a rotina fica muito exaustiva para a mãe.

Para a minha sorte, durante meus longos turnos na sala do banco de leite, conheci algumas mães que mudaram minha vida. Elas estavam vivendo a mesma situação que eu, embora cada um de seus bebês tivesse um motivo diferente para estar ali. Elas também estavam sofrendo. Também contavam os dias para poder pegar seus filhos no colo. Também lutavam para aprender a fazer a danada da ordenha! Também chegavam à UTI com olheiras, não só porque dormiam pouco naqueles difíceis primeiros dias de pós-parto, mas porque choravam escondido antes da visita aos seus bebês.

 

Aquelas mães também estavam sofrendo. Também contavam os dias para poder pegar seus filhos no colo. Também chegavam à UTI com olheiras, não só porque dormiam pouco naqueles difíceis primeiros dias de pós-parto, mas porque choravam escondido antes da visita aos seus bebês.

No entanto… aquelas mulheres me cumprimentavam sorrindo.  Perguntavam sobre a recuperação do meu filho. Comemoraram quando ele começou a melhorar. Ou seja, elas saíram delas mesmas.

Somos amigas até hoje. É incrível como uma dor extrema é capaz de unir as pessoas de uma forma mais poderosa. Tenho a sensação de que, mesmo eu passasse vários anos sem vê-las, o vínculo que criei com elas e seus filhos não enfraqueceria.

Esta é a minha dica, caso você esteja vivendo uma situação parecida: faça como as minhas amigas da UTI. Abra-se aos outros, tente conversar com as outras mães que você encontrar durante as visitas ao hospital. Você pode encontrar um grande apoio!

TERCEIRA ESTRATÉGIA: ENCONTRE UM REFÚGIO

A música foi um de meus refúgios.
De música em música, eu amamentei à distância.

 

music-278795_1280Nem sempre minhas amigas estavam no banco de leite quando eu chegava lá. Muitas vezes eu ficava sozinha na sala, então precisava ocupar minha mente enquanto contava os mililitros de leite que eu conseguia armazenar. A música foi um dos meus refúgios.

Eu aproveitava que não havia ninguém ao lado e cantava para meu filho. Estávamos em salas separadas, mas eu gostava de pensar que ele me ouvia, assim como na época da gestação.

Acho que você conhece a música “A Thousand Years”, da Christina Perri. Naquele ano (2014), tocava muito nas rádios.

Então eu cantava adaptando a letra — fazia um “cover” adaptado — segundo o que eu vivia naqueles dias.  Por exemplo, no refrão, eu dizia: “I spend all my days waiting to see you” porque eu passava o dia esperando os horários da visita à UTI.

Assim, de música em música, eu amamentei à distância. Os dias foram passando e, depois que a amamentação se normalizou, eu continuei cantando muito o meu “cover” para ele. Sempre o acalmava muito.

A música, sem dúvida alguma, me confortou muitas vezes e me afastou da tristeza. Quais são os seus refúgios em momentos difíceis? Já pensou nisso? Vale a pena este autoconhecimento.


Essa foi a minha primeira história de amamentação. Com meu segundo filho, a experiência foi mais normal, mas não menos intensa. Mas isso eu te conto em outro post!

 

2 thoughts on “Minha amamentação na UTI neonatal

  1. Q bom q vc teve a coragem de ter outro filho e assim viver uma nova experiencia da maternidade.
    Parabens por transbordar esperança.
    Abraços c carinho

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