Irmãos de crianças especiais precisam de atenção (ainda bem)

É compreensível que as mães e pais se debrucem sobre seus filhos que têm necessidades especiais. Mas não nos esqueçamos: seus irmãos também precisam de atenção! Ainda bem, pois isso traz mais amor e mais novidade pra dentro de casa!


 

– Mãe, marca um exame para mim? – pediu Matheus, meu pequeno de dois anos.

Alguém poderia pensar: “como é que é? Por que uma criança de apenas dois anos iria querer sair de casa para fazer exame em pleno mês de férias?”

A resposta é: atenção.

Nos últimos dias, levamos o Paulo,  nosso filho mais velho, a várias consultas e exames. Eu duvido que Matheus teria gostado de tirar tanto sangue como o Paulo precisou esta semana. No entanto, na percepção do meu caçula, o que lhe chamou atenção foi o tempo que dispendemos com o Paulo por causa desses compromissos fora de casa.

Ser irmão de uma criança com necessidades especiais é crescer e amadurecer de uma forma diferente, mesmo sem perceber. Eu, como mãe, penso constantemente nisso.

Acredito que não existem “filhos protagonistas” e “filhos coadjuvantes”. As crianças podem ter necessidades completamente diferentes,  mas ainda assim têm necessidades – e elas não podem ser ignoradas. Todo mundo é protagonista. Os irmãos também precisam de atenção!

Matheus, meu segundo filho, tem um desenvolvimento típico e não precisou muito de ajuda para andar. Por exemplo, não precisei fazer com ele os treinos de fisioterapia que fiz com Paulo veja também este vídeo).

No entanto, isso não significa que ele não precise da minha atenção,  dos meus braços,  do meu colo, das minhas histórias inventadas, das minhas músicas ou das minhas receitas recém-aprendidas (afinal, nunca fui muito prendada na cozinha… até ter meus filhos!).

Dar a atenção que cada um deles precisa é, muitas vezes, um desafio. Afinal, me sinto exausta às vezes, a pia se enche de louças e os outros mil compromissos da agenda parecem gritar meu nome o dia todo.

Mesmo assim, vale muitíssimo a pena o esforço. Nos primeiros anos de vida, a presença dos pais ou cuidador ajuda a consolidar a autoestima e a segurança emocional da criança. E quem não gosta de sentir-se amado?

 

OS IRMÃOS TAMBÉM PRECISAM DE ATENÇÃO – AINDA BEM!

Não é “só” por isso que vale a pena. Tem também um outro lado da moeda, hehe.

♥ A louça da pia, por exemplo, nunca disse que me amava, como já mostrei num vídeo para vocês.

♥ Os outros compromissos da agenda nunca me abraçaram forte como o Matheus faz muitas vezes.

♥ E até meu cansaço é aliviado quando vejo que é o Matheus quem dá ao Paulo o estímulo de que ele precisa em certos momentos, sem que eu necessite intervir o tempo todo.

Detalhe: estes estímulos que o Matheus trouxe à vida do Paulo acontecem de forma completamente diferente do que nós, os adultos, damos. Ele ensina a fazer arte, inventa maneiras de incluir o Paulo em suas bagunças, convida o Paulo pra lutar (!!!!)….

E esta é a parte mais divertida da história…Mas isso fica pra outro post!

4 thoughts on “Irmãos de crianças especiais precisam de atenção (ainda bem)

  1. Amei o texto e suas observações em relação ao irmão. Cada um é especial do seu jeito. O Matheus deve ser muito esperto mesmo, pois do jeito dele, expressou o pedido de atenção que ele estava querendo.

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